quarta-feira, 8 de dezembro de 2010

A fortaleza


Hoje, após fechar meus olhos e viajar em pensamento, deparei-me com uma fortaleza com muros robustos, um fosso negro ao redor, imensas trancas em todas as imponentes portas de madeira de lei e janelas bem altas. A imagem da fortaleza evidenciava o fato de que fora construída para que ninguém nela entrasse, pois ela guarda um tesouro de valor inestimável.


Contam nas cercanias que muitos já tentaram invadi-la. Pode-se ver nos muros marcas de ganchos e nos portões marcas de espadas e aríetes. Para os que não atentam, a fortaleza parece intocável e inatingível, mas os que param e atentam ao admirá-la podem ver marcas profundas que enfraquecem sua estrutura.

Pode-se ver restos mortais daqueles que tentaram derrubar seus portões ou escalar seus muros, lembranças perpétuas deixadas como aviso pelo guardião do tesouro. Até hoje ninguém conseguiu ver a sua face sem ser fulminado, mas sua fama torna-se notável a todos que aproximam-se.

Há boatos de que alguns conseguiram adentrar a fortaleza enquanto o sentinela dormia, mas o tesouro está muito além do entendimento da plebe e todos que o encontravam não sabiam como usá-lo e saiam de mãos vazias. O tesouro não serve como adorno e não dá poderes mágicos a quem o possui, mas quando bem manuseado pode trazer a felicidade sem tamanho.

Sou um cavaleiro de alma pura e quero o tesouro para mim. Vou cuidar dele e protege-lo com toda força da minha alma. Hei de habitar na fortaleza, mas não irei usar de força ou vandalismo... espero pacientemente o dia que serei convidado pelo sentinela a entrar. Caso contrário, estarei aqui fora, esperando uma chance, assistindo a todos que vem e vão...

Não quero invadir-te, fortaleza, pois só serei digno de habitar-te perpetuamente e disfrutarei do teu coração, o tesouro mais raro, se a tua razão, o guardião fiel, convidar-me para repousar em tua vida.

quinta-feira, 25 de novembro de 2010

Frio e calculista


Por esses dias estive mais uma vez afogado em trevas, numa daquelas situações que fazem você pensar em mil absurdos, em desistência, em luta...
Reconheço que meu jeito racional de ser me ajuda muito diante das afrontas, pois sempre que me vejo acuado ou quando algo consegue deixar-me fora de si, paro, respiro fundo, me transporto para outro lugar por alguns segundos e retorno de lá pronto para encarar meus demônios de forma fria e calculista, como sempre! Já percebi que a indiferença confunde a cabeça de quem te confronta! Realmente temos que concordar que é estranho ver teu oponente entrar no campo de batalha, onde uma causa importante está por um fio, com sutileza, sereno... parece que ele tem todas as armas necessárias para te vencer de olhos fechados! A segurança alheia é um punhal no nosso calcanhar, pois por mais que saibamos que os ventos sopram a nosso favor, essa atitude nos soa como se o oponente tivesse encontrado uma estratégia que você não conseguiu prever.
Até hoje só encontrei uma atitude que consegue me desestruturar totalmente por alguns instantes: escândalos... exposição de assuntos que deveriam ser resolvidos por duas pessoas apenas. Quando isso acontece, dependendo da proporção, me vejo momentaneamente transtornado, pois tenho o costume de não enxergar os degraus sociais existentes entra realeza e plebe, relacionando-me e respeitando a todos por igual, e por isso não admito que me desrespeitem, mas já percebi também que depois que meu transtorno passa, o “Paulo frio e calculista retorna ao lar” com ainda mais vigor, cheio de ideias de estratégias, firme como rocha, seguro de si, com aquele olhar penetrante e intimidador, com a boca repleta de respostas curtas que penetram na alma como farpas... me transformo em algo que nem eu ao certo conheço... uma máquina de guerra!
Pensando muito sobre o assunto, concluí que as pessoas que sabem que tem potencial, debatem sobre pontos de vista civilizadamente, tentam te persuadir usando argumentos, torna-se até uma conversa inteligente e agradável! Agora te pergunto: Que argumento tem a pessoa que grita? NENHUM! A pessoa que grita não passa de alguém inseguro, fraco, medíocre, que sabe que não tem argumentos suficientes para te convencer a mudar, que reconhece que não tem força suficiente para te controlar... grita na esperança de te assustar! Esse tipo de gente não tem respeito, só possui o medo daqueles que são mais fracos que ele. Vivo respeitando e sou muito respeitado, de modo que quase nunca preciso gritar para conseguir o que quero... um pedido com educação, acompanhado de argumentos que comprovem a necessidade e reconhecimento após cumprimento sempre funciona e ainda abre portas para que sempre tenha o que precisa! Pessoas que gritam para tentar ter algo de você são dignas de pena, pois gritar é reconhecer que você é tão melhor que nunca vai se inclinar às opiniões vazias e sem base senão por coação.
Decidi que não mais me irritar ou discutir daqui para frente, pois meus pensamentos estão anos-luz afrente de qualquer ofensa e enquanto “você” gasta seu tempo gritando asneiras para tentar me intimidar, invisto meu tempo calado, analisando o momento certo de lançar minha “semente” na tua boca, para te engasgar com tuas próprias palavras até sufocar... aí então escolha é sua: Cala-te ou perece!

“Segurança e blefe não garantem o sucesso no jogo, mas combinados à convicção, firmeza e máscaras para ocultar fraquezas, abalam a confiança, o combustível, do teu oponente, balançam as tuas estruturas... arrancam das mãos dele a certeza da vitória.”

quarta-feira, 10 de novembro de 2010

Querer + buscar = poder


A adolescência me assiste partindo
a vida adulta me aguarda sorrindo
grandes mudanças estou a enfrentar.
Muitos caminhos surgem a minha volta
muitos deles no futuro trarão revolta
por pensar no tempo que posso desperdiçar.

Logo à frente vejo o destino a me oferecer:
As cartas estão na mesa, é só escolher!
Nesse jogo pode-se perder ou ganhar.
Não é como nos tempos antigos,
Onde o menino perdia, ficava arrependido
e era convidado para voltar a brincar.

Sinto falta daqueles dias,
em que chegava em casa nas tardes frias
e tinha chocolate quente para me aquecer.
Hoje tenho preocupações além disso.
Preciso me esquivar de tudo que não me é lícito,
lutar dia após dia para sobreviver.

O banquete da vida é farto e atraente...
geralmente tudo parece saboroso e quente.
Na hora da fome pode te saciar,
mas tudo que vem fácil, vai fácil com certeza.
Vemos isso quando a conta é posta sobre a mesa
e então percebemos que existe um preço a pagar.

Prefiro seguir lutando pelo que almejo,
acreditar em tudo que sonho, tudo que desejo.
Querer é poder para quem busca, não adianta esperar.
Vitória sem suor? Não! Meu caminhar é ímpar!
Sigo em frente sempre de cara limpa
e me orgulharei, batendo no peito, por tudo que conquistar.

Poesia feita para a gincana do colégio do meu irmão.
Autoria de Paulo Lucena e Paulo Alonso.

sexta-feira, 5 de novembro de 2010

conspiração do tempo


Daqui a alguns dias estarei completando mais um ano de vida e só agora percebi o quão rápido tem passado o tempo. Por que ele atrasa-se para uns e acelera-se para outros?

Há pouco, era um menino, com poucas preocupações, pois iniciei a vida cedo e já tinha obrigações ainda jovem... mas desde que acordei de vez para o mundo, o "relógio" tem conspirado contra mim a cada dia com mais fúria, de maneira mais intensa, me sufocando, diminuindo meu espaço, pressionando meu pensar e ameaçando meus planos, os quais tenho adiado por falta de TEMPO para concretizá-los.

Tem sido muito difícil investir 100% de mim em tudo que preciso fazer e analizando-se lógicamente é impossível, mas é isso que o mundo exige de nós nos dias de hoje: Exclusividade em tudo que dispomo-nos a fazer. Tudo ao nosso redor é egoísta, mesquinho, não se contenta com o que podemos oferecer e quer entrega total! O que nos resta é tentar administrar o nosso tempo da melhor maneira possível!

Hoje invisto todo meu tempo em prol do meu futuro... não me resta tempo no presente nem para mim mesmo! Aposto na sorte desse futuro incerto, mesmo na incerteza de que amanhã ainda estarei vivo, pois nessa linha de raciocínio consegui chegar onde estou. Perguntem aos meus amigos a quanto tempo não tem notícias de mim... muitos nem lembrar que existo! Abro mão do meu hoje SIM, pois espero um amanhã melhor!

São lutas infindáveis, cansativas, mas o pior é o resultado! Vitória incerta tendendo à derrota... são muitas pessoas tão empenhadas ou mais, mirando os mesmos alvos que você! É bem desgastante a preocupação por ter que ser o profissional exemplar, o amigo presente, o companheiro ideal, o bom familiar, o perfeito aluno, o cidadão correto, dentre milhares de outras "atribuições"que passam desapercebidas... Confesso que estou reprovado em pelo menos metade das que citei! Ahhh! Dói a cabeça só por pensar!

Chega! Vou parar por aqui! Minha intenção era esvaziar-me, tirar o "peso dos ombros", mas acabei acordando para a realidade que sempre me oprime... para mim, que sou um perfeccionista extremo, dói a alma assumir, mas nunca seremos perfeitos em tudo! O que devo fazer é escolher um caminho, seguir reto e passar por cima de tudo que parecer obstáculo! O resto é consequência... eu acho...

Desisto! sem mais...

Medo de sonhar



Como tenho evitado fechar os olhos...
O peso do cansaço em minhas pálpebras me arrasta para um sono profundo, lugar no qual a visão vai além do presente... enxergo coisas que de olhos abertos não consigo, coisas que de algum modo sei que virão.

Vejo a verdade do destino incerto em um pesadelo infindável, dando voltas como a Terra, sobre seu eixo e deixando-me atordoado, sem estruturas... Sinto uma pressão absurda no peito. Acredito que seja, por parte, medo de acordar e enxergar que a realidade está pior.

Não há soluções para o meu problema, pois se olho em frente não vejo caminhos, se olho para trás não tenho forças para retornar a tudo que já passei, aos lados apenas muralhas, dentro de mim há um vazio, abaixo somente abismo e os céus estão negros.

Enfim... Acordo por medo de sonhar com a realidade que sei que viverei ao acordar.

quarta-feira, 3 de novembro de 2010

Egoísmo do exclusivo



Quando achei que tudo ia muito bem, aquela força superior mais uma vez “puxou meu tapete” para mostrar sua grandeza perante a minha insignificância... e como ocorre após toda queda que sofro, aprendi uma nova lição. Meus passos em falso nessa estrada escura e disforme fizeram-me enxergar o quanto somos egoístas e egocêntricos. Para os que conhecem, quantas vezes em que escrevo para esvaziar a alma, eu já citei outra pessoa senão eu mesmo?

Se pararmos para analisar, com muita sinceridade, coisa que não fazemos quando se trata de olhar para dentro de si, não fazemos nada senão por nós mesmos! Muitos de nós achamos que não temos vida própria... dizemos que damos a vida por quem amamos... mas na realidade o fazemos porque NÓS precisamos daquela pessoa! Não fazemos porque somos bons samaritanos ou porque somos lacaios do amor, mas na realidade, nos sujeitamos a tudo por sabermos que é impossível vivermos sós... necessitamos de pessoas de confiança ao nosso lado para nos apoiarem e quando as encontrarmos, faremos de tudo, mesmo que inconscientemente para que não se afastem!

É bem polêmico e “gritante” o que escrevo, mas o ser humano raramente enxerga algo senão a si próprio... como se a sua frente sempre levasse um espelho. Nós falamos, andamos, abraçamos, beijamos, amamos, odiamos, temos dó, orgulhamo-nos das pessoas pensando no bem que isso fará a nós mesmos. Somos como Adônis, capazes de afogarmo-nos por nossa auto-adoração e é isso que nos faz afundarmos em desilusões, mágoas, problemas... olhamos tanto para o “espelho” que nunca conseguimos enxergar que tudo de ruim que nos acontece, acontece também com milhares de pessoas ao nosso redor.

Não posso mais deixar que o egoísmo coletivo amarre uma venda nos meus olhos, me levando a um ponto tão crítico que me faça pensar que até meus problemas são únicos! Agora, neste momento, enxergo a vida como uma grande caixa cheia de “tarefas surpresa” onde pomos as mãos e sorteamos uma missão, a qual deveremos encarar e resolver no tempo determinado... caso não consigamos resolvê-la a tempo, ainda com essa tarefa em mãos, devemos retirar outra e assim a “bola de neve” tende somente a crescer.

Hoje, aqui e agora, posso enxergar que tudo que me ocorre já aconteceu, com certeza com alguém, em algum lugar do mundo, em alguma época... alguém já pisou neste “quadrinho do tabuleiro do complexo jogo da vida” e posso garantir que outras milhares de pessoas ainda jogarão os dados e cairão aqui onde estou agora! Só agora pude ver o quanto fui egoísta por acreditar que minhas felicidades e desilusões eram exclusividade minha... já dei boas gargalhadas por ver o quanto meu pensamento foi pequeno!

... enfim, hoje enxergo a vida como uma brincadeira de criança, tal como “dança da cadeira”... quando a música pára, não há certeza de que iremos conseguir parar no mesmo lugar onde outrora estávamos, mas há certeza de que outros já estiveram onde iremos parar e em cada rodada, outras pessoas estarão no lugar de onde saímos... isso acontecerá até o momento em que não conseguiremos mais um lugar e assim, para nós, o jogo termina.

domingo, 31 de outubro de 2010

De que somos feitos?

Após mais alguns passos nessa jornada, outra vez tropecei. Busquei forças, como sempre, para erguer meu rosto do chão, mesmo que muito abatido. Sentei-me no chão, vi feridas abertas, porém sem sangue! Eram negras e profundas de modo que não podia ver-se o fundo. Pus-me a pensar: Do que na verdade somos feitos?
Há diversas situações pelas quais passamos ao longo da vida e em cada uma delas temos de nos adaptar. Eu, por exemplo, quando sou confrontado, comporto-me como ferro... robusto, resistente, impermeável, posso me deformar, porém dificilmente serei rompido. Meu "calcanhar de Aquiles" será atingido somente se eu for submetido por muito tempo às minhas lágrimas, pois irei oxidar até desintegrar-me.
Quando confio, sou vidro... transparente, puro, cristalino, uma proteção quase invisível, posso fazer-me opaco para esconder-te, porém sou frágil! Posso facilmente ser desmembrado em milhares de fragmentos sem utilidade ao menor dos impactos.
Quando amo, sou água... agradável, sacio "às sedes", desvio de qualquer obstáculo e passo por qualquer brecha para alcançar as metas, sou reconfortante e capaz de lavar a alma. Posso escorrer facilmente por entre os dedos, caso esteja em mãos desatentas e uma vez derrubado sobre terras secas, serei tragado e jamais recuperado. Calor demais me leva ao céu e desço como chuva torrencial, lavando e purificando tudo em meu caminho. Frio demais torna-me pedra e somente com muito calor irei retornar ao meu estado normal.
Neste momento da minha vida sou diamante bruto... sem brilho, sem utilidade, sem valor, sem destino. Caso seja percebido a tempo, antes de ir para descarte, se lapidado com paciência, carinho, dedicação, no ambiente correto, longe de impurezas, sem excesso de pressão e temperatura amena, posso transformar-me em joia preciosa, com alto valor e brilho ofuscante aos olhos. Posso enriquecer teu colo com meu afago, enriquecer tua orelha ao te sussurrar palavras doces, enriquecer teus dedos quando entrelaçados aos meus, enriquecer teu braço guiando-te pelo ao caminho da satisfação...
Cada dia, ao acordar, posso me repetir nesse ciclo desgastante ou posso ser algo totalmente novo e diferente de tudo que já fui. Admito que deito-me ansioso por pensar no que serei amanhã... forte como a rocha ou frágil como o isopor? duro como o titânio ou maleável como o alumínio? turvo como o carvão ou transparente como o cristal? fácil de encontrar-se como a brita ou oculto e inacessível como o diamante negro? Enfim, sempre serei aquele mesmo mosaico vazio e branco, um nada formado por pequenas partes de tudo que me cerca... e você, do que é feito hoje?

domingo, 3 de outubro de 2010

Quanto vale?


"Tudo tem o seu valor"... aposto que essa expressão foi criada por alguém que nunca teve problemas, alguém desatento ao verdadeiro conceito de "valor", pois não existem valores pré-definidos para nada neste mundo!

Quanto vale uma vida? Qual o valor de um sorriso puro e sincero? Qual o valor ouvir de alguém valioso que você tem valor?

Vivo minha vida intensamente, sem medo de errar ou anseio incondicional de acertar e nessas veredas pelas quais atravessei, percebi que valores são muito relativos! Seus problemas valem para você sempre mais do que para os que te cercam ou você nunca disse "Para você é fácil falar!" ou "Você não está na minha pele!"?

Valores também diferem quando tratamos de sonhos... Quais são os seus? Eles não são infinitamente mais valiosos para você do que os meus?

Constatei que valores são vistos de maneiras diferentes por pessoas diferentes, em circunstâncias diferentes, em lugares diferentes, em momentos diferentes... Isso ocorre porque nada tem "seu valor", um valor próprio! Ao contrário, as coisas tem o valor que VOCÊ enxerga nelas.

Não sou muito de me preocupar com valores, mas tenho que admitir que meu jeito de esperar sempre o pior, o caos, me faz muito bem... Deus me abençoou com um tesouro, foi inevitável enxergar e reconhecer que sua importância, valor infinitamente positivo, somada com meu caos particular, negativo tendendo ao abismo, tornou-a uma das coisas mais importantes da minha vida, nesse momento, nesse lugar...

"A penumbra do abismo onde me escondo faz tua luz brilhar ainda mais forte..." 04/10/10 - Pdd

sexta-feira, 1 de outubro de 2010

Porão da alma


Mais uma vez reviro as caixas empoeiradas no porão da minha alma, meu hobby, até que me deparo com um velho baú grande e pesado, com uma fechadura muito robusta. Tentei de todas as maneiras possíveis abri-lo, mas nada adiantava, cada vez mais sendo consumido pela curiosidade, pois nem eu mesmo sabia da existência do artefato.

Cansado de tentar abri-lo, decidi ao menos tentar ver o que tinha em seu interior pelo receptáculo de chaves da fechadura e com muita dificuldade, pois estava muito cheio e escuro, pude ver duas palavras: OPORTUNIDADES PERDIDAS
Fiquei momentaneamente estático refletindo sobre como podemos desperdiçar tantas delas.

Percebo que uma das grandes fraquezas iminentes do homem, a qual o induz a dar as costas às novidades, é o medo do desconhecido, uma verdadeira tropofobia. Falta-nos ousadia e disposição para sairmos desta maldita inércia, deste magnetismo que nos atrai ao comodismo, pois para que consigamos alcançar novidades, muitas das vezes teremos de abrir mão do que temos e lançar mão da sorte, afinal, não se pode receber algo tendo as mãos ocupadas.

Grandes oportunidades batem as nossas portas a todo tempo, mas o medo de trocar o “certo” pelo duvidoso alicerça-nos na antiga imagem da balança que tende sempre para o que podemos ver, tocar, medir e assim rejeitamos a chance de mudar para melhor.

A vida é um jogo no qual precisamos apostar para termos a chance de vencer. Do contrário, teremos uma porção sem qualquer garantia, pois nem tudo na vida é imperecível! Podemos terminar com NADA!

E mais uma vez , do porão da minha alma, retiro relíquias valiosas. Aquele baú faz pensar que devemos ser ligeiros ao optar pelo “novo” algumas vezes, pois se o baú das oportunidades fecha-se, é provável que não consigamos abri-lo novamente para resgatarmos o que se foi, restando-nos apenas as conseqüências dessa fobia iracional de mudanças.

quinta-feira, 29 de julho de 2010

Tronco



Já não sei se vivo ou se a minha vida me usa como uma mera casca...vazia... Vive ela, a vida, por necessidade de existir, mesmo estando eu morto.


Continuo a ouvir a mesma sinfonia iunsuportável, os mesmos acordes que sempre soam quando me inspiro a escrever, acordes os quais, ao fechar dos meus olhos, me arrastam para dentro de mim mais uma vez...lugar estranho e com muitas trilhas.


Começo então a caminhar sem rumo e percebo que a cada bifurcação deparo-me com um mesmo tronco seco, estirado e retorcido, com traços de humanidade, quase me trazendo a impressão de que pereceu pedindo ajuda.


Oprimido eu começo a correr até dar-me conta de que não há saída. Continuo próximo ao tronco, naquele lugar frio, escuro, sombrio, cujo arredor reflete como espelhos d´água, fazendo com que eu enxergue no fundo dos meus olhos assustados um vazio ainda maior.


Continuo minha jornada em busca de um escape, mas nada muda... as vezes consigo ver feixes de luz, os quais me soam como oportunidades de mudança, mas são rapidamente encobertos por penumbras com formato de "NÃO".


Preciso, como me disse um anjo, voltar atrás e me encontrar de onde me perdi, mas eis o problema: Estou perdido! Para onde fica o "voltar"? Em todas as direções que olho vejo a mesma imagem... sombras, névoa e um tronco seco que me parece quase humano... Então me aproximo do tronco desistindo e quando sento decidido a perecer, deparo-me com o chão, pois o tronco não está mais lá! Deito-me onde ele estava e vejo um jovem correndo em círculos, assustado, tento estender as mãos e pedir ajuda, mas meus membros estão ressecados e rígidos como madeira e o jovem parece ter medo de mim e continua tentando fugir, desesperado e ficando exausto de tanto procurar por algo tão confuso que parece nem saber mais o que procura.

quarta-feira, 14 de julho de 2010

Reflexo em distorção


... e mais uma vez evito olhar
na certeza de que o que verei irá me assustar
as linhas do tempo formam a palavra “derrota” no meu rosto..

P
asso bem longe tentando evitar, disfarçar, me enganar...
mentir para mim mesmo e me fazer acreditar
Que é só mais uma perda qualquer, não se trata de um desgosto.

N
ão posso mais olhar em tua direção
Tenho que evitar-te em qualquer condição
Para não enxergar a realidade que me condena.

R
ealidade essa que irá me corroer
Pois ao olhar a minha volta já posso ver
Ou melhor, não ver alguém disposto a me dar a mão, entrar em cena.

F
echo os olhos diante de ti, quase ausente,
carente, temente, certo de que se olhar em frente
meu coração ficará partido.

V
ou me desfazer de ti, espelho,
pois irás mostrar a imagem de alguém em desespero
que perdeu tudo o que tinha, o chão e vive uma vida sem sentido.

quinta-feira, 1 de julho de 2010

Quebrar o silêncio

Toda análise que faço sobre mim resulta em paradoxos, sempre distintos e exclusivos, como se a cada dia eu fosse alguém diferente, vivesse uma vida diferente, com pessoas diferentes, porém sempre sem rumo.

Sinto-me a cada dia como uma máquina programada para não pensar no amanhã próximo, somente no futuro longínquo, cheio de planos e sonhos, mas com a convicção de que ao despertar do novo dia tudo se anula e cede lugar a novos parâmetros.

Admiro-me por estar lúcido e poder prever o quanto seria bom ter o poder sobre meus movimentos, meus almejos, meus alvos, mas maior do que o meu desejo é o instinto que me controla, mantendo-me no modo "automático"... quase em "stand-by".

Toda manhã desperto sob golpes de um conflito interno, tentando me contradizer, confundir o sistema que me rege, lutando para fazer tudo ao contrário do que me é imposto, fazendo as coisas da maneira que acho certas, mas é inútil... vem a força oposta, quase um momento fletor no livre arbítrio, pois aonde quer que estejamos, sempre haverá alguém intitulado maior, mais forte, mais experiente, mas perfeito ao ponto de pensar que tem sempre a razão, guiando nossos cordões como os de um fantoche vivo, que se sujeita por medo de quebrar o silêncio.

Gritar traz distúrbios... no momento certo traz solução... seguida por mais distúrbios, em um eco ensurdecedor e crescente, até que o mais fraco pereça e o silêncio retorne alicerçado na razão.

domingo, 27 de junho de 2010

As duas faces


Eu? Como sempre estudioso da felicidade alheia. Ela me fascina com seu poder de persuasão e alerta-me a não envolver-me totalmente consigo... me assusta!

Não pode-se estar feliz com tudo na vida... não há perfeição! Sempre há uma pendência, uma gota de fel...

A característica que mais me intimida nesse nobre e enganoso sentimento é a sua capacidade de impedir que olhemos ao redor, de impedir que enxerguemos a verdade completa, o poder que tem de nos cegar para causas alheias à nossa vontade. Não quero estar assim! Quero poder ver as duas faces.

Afasto-me desse mar de ilusões e fantasias, procurando sempre conhecer o bem e o mal, os prós e os contras, a luz e as trevas, as qualidades e os defeitos, os acertos e os erros de cada caminho dessa ramificada e confusa estrada da vida... sem placas, sem sinalização, sem nitidez, onde somente a luz da lua desta eterna noite negra, transpassando com dificuldade a neblina e as trevas, te conduz à tua intuição errante... errante por crêr que qualquer caminho que tomares levar-te-á ao teu "destino traçado" inexistente.

De que serviria o bem, se não houvesse o mal? Todo grande exército não estuda o oponente? Por isso mergulho no abismo da alma e sinto na pele os guinchos que me perfuram e prendem, impedindo minha fuga. Ergo-me com dificuldade, sinto-os a me rasgar e ainda estando ferido encontro forças nas palavras que escrevo, as quais me libertam do cativeiro e encorajam a traçar desta vez o meu plano de ataque contra o mal que outrora era desconhecido, mas agora faz parte de mim, gravado nas cicatrizes hei de carregar.

quarta-feira, 23 de junho de 2010

S.O.S.


Hoje me foi arrancada a venda dos olhos e fui f0rçado a enxergar tudo o que outrora estava escondido sob um poderoso nome...até bonito e impactante: SISTEMA

Fui mais um, dentre milhares de brasileiros, coajido pela imundícia que se revela nesta malha corrupitiva que contagia hoje quase todos os setores governamentais e prestadores de serviços do estado.

É um verdadeiro absurdo, mediante a tantos impostos, taxas, valores abusivos de produtos também carregador com impostos e taxas e todos os outros "brindes" que somos obrigados a "doar voluntáriamente" ao governo, ainda termos que aceitar como ovelhas mudas uma pessoa que é capacitada e reconhecida como autoridade, recebendo um salário que sai do nosso bolso, rélis mortais, pedir o "do café". Além de tudo temos que sorrir e fingir que estamos felizes pela "graça concedida". Se estamos em pendência para com o governo, é porque todo fruto do nosso trabalho é drenado e acaba parando em bolsas, meias, cuecas ou contas nas Ilhas Cayman.

Dentre palavras que não saem da cabeça, predomina IMPOSTO! Você paga o IPVA do seu carro(com cobertura de taxas), gasta fortunas em manutenção e reparo do carro, já que o seu IPVA juntamente com o de milhões de outros carros não é suficiente para tampar as crateras das pistas, prepara o seu carro para vistoria, enfrenta filas absurdas, inventam milhares de defeitos em peças que nem existem no seu carro e não satisfeitos, sempre estão inventando um novo "design" de placa, cujos valores variam entre "X" para o "pretinho básico" ou "2X" para o modelito com "cristais swarovsky". Haja paciência!

Esse desabafo, em exclusivo, é um grito de desespero...um pedido de socorro coletivo a "não sei quem", pois acredito que como o meu, o coração de muitos outros brasileiros dói ao enxergar essa causa sem solução, tendo em vista que diante de um pedido de propina, não há outra solução senão ceder, ou você acha que podemos chamar a polícia?

domingo, 20 de junho de 2010

Causa e efeito


Sempre que vem a vontade de desabafar essa solidão que me invade de repente, tento entender o que há, pois não gosto de ser injusto com o que as pessoas chamam "destino".


Onde está o probl... ou melhor, EM QUEM está o problema?


Já cheguei a uma conclusão, agora só me falta admitir que eu tenho me afastado de tudo e todos e sempre que tento voltar, a covardia e o medo de me ferir me dominam!


A vida é como uma máquina muito complexa e frágil na qual as engrenagens devem estar perfeitamente sincronizadas e a tentativa de acréscimo de uma peça que não execute função comum pode danificá-la. Acredito que isso é o que tenho feito: Tentado encaixar peças muito simples na minha complexa vida, o que tem me estagnado. Não consigo aceitar que não pode-se agradar a Gregos e Troianos.


Para quem pensa que estar cercado de todo tipo de gente é o máximo, ser popular traz status, ter dinheiro é tudo, ter um belo carro te supre o ego, ser conhecido por todos acrescenta-te em algo, ser exemplo de coragem ou até insanidade é digno de orgulho, eu alerto: Já tive tudo isso! Nada ganhei! Admito que ainda não encontrei meu caminho e até duvido que exista um pronto para cada pessoa, mas garanto que nada disto que citei é uma saída.


Passo adiante os primeiros passos que consegui dar sem me atolar até o pescoço em areia movediça: Viva sem medo, mas seja moderado; tenha bons amigos em que possa confiar, mas até que se prove o contrário, somente os nossos pais são sinceros e querem o nosso bem; se errarem contigo, seja tolerante para perdoar e se você errar com outrem, pedir perdão não é vergonha... vergonha é ser tão estúpido ao ponto de se considerar tão perfeito e mentir para tentar enganar a si mesmo.


Dessa maneira eu sigo, tropeçando e levantando, traçando o que as pessoas insistem em chamar "destino" para pôr nele a culpa por todos os fracassos, quando na verdade todos sabemos que a palavra "destino" traduz somente o conjunto de escolhas que nós mesmos fazemos... nesse "joguinho " cheio de efeitos colaterais, tua sede de resultados é a única causa.

Paenes umbra (Grego:penumbra)


Sonhos sem formas
não sei decifrar.
Vultos, imagens tortas
confundem meu pensar.

Temo a penumbra das pálpebras,
sua treva pode me levar,
me arrastar para a verdade
na qual não quero acreditar.

Caminhos escuros
ou luzes a visão ofuscar,
nem nada, nem tudo,
perder ou ganhar?

"Não há caminho traçado!"
me pego a pensar.
Me basta escolher um lado,
fechar os olhos e saltar.

Entrego-me à sorte,
parei de me preocupar.
Há apenas vida ou morte
e não tem como evitar.

Sinto-me sem equilíbrio após subir no muro
e tenho que saltar
escolho o lado desconhecido lançando à sorte meu futuro
ou volto à luz que me cega e vejo minha vida passar?

domingo, 2 de maio de 2010

Náufrago


Depois de uma grande tempestade,
só me lembro de estar em meu veleiro, à vontade,
acordo engasgado, olhos ardendo e na boca, gosto de sal.
Vejo um pequeno crustáceo curioso
procurando algo interessante ou precioso
na minha carcaça, para ele tão anormal.
Olho ao redor e me vejo só.
Nessa imensidão de vida, me sinto pó.
Sou um náufrago perdido na ilha da minha vida deserta.
Tinha uma vida pomposa e farta
e hoje convivo com quase nada.
Tenho minha roupa, água, areia e a mente aberta.
Aqui tão longe estou a pensar
em tudo que deixei lá
e de poucas coisas sinto falta.
Há algumas coisas sem as quais não sei viver
e por elas mantenho a calma, vou me conter
e achar um modo de navegar de volta.
Sob chuva ou sol estou a projetar
e falta pouco para terminar
pois tú, meu refúgio, é minha inspiração.
Ao pensar em nosso momento mágico,
criei forças para navegar, não estou estático.
Por tempos estive caído, mas ergueste-me do chão.
Enfim consegui completar
encontrei o que estava a faltar.
Nada luxuoso e sei que pode não resistir.
Com as minhas mãos construí uma jangada
com alguns troncos e cordas de embarcações naufragadas.
Essa é minha chance de sair daqui.
Meu desejo de te rever
mostrou que forte posso ser
e quero voltar antes que me esqueça.
Deixa-me, maré, me afastar!
Não me obrigue ao isolamento retornar!
O momento mágico pode fugir de sua cabeça!
Continuo me perguntando o que se passa.
Onde está a raiz do mal que me ameaça?
O medo que contagia o meu mundo?
Pois sempre que avisto meu porto seguro, uma saída,
uma chance de mudar a minha vida,
há uma ressaca no mar do meu sonho
que me apavora com um futuro tristonho
Nem contigo e nem sozinho na ilha... no mar, no fundo!

sábado, 24 de abril de 2010

Suficiente

Por que tudo tem que ser o contrário do que devia?
Adaptamos nossas vidas e nunca é o suficiente...
Se é pouco, aumentamos... daí torna-se demais...

Quando tudo toma um rumo desgovernado, em ritmo acelerado, descontrole desenfreado, pensamento atordoado e o coração dilacerado é hora de repensar e projetar um futuro melhor que o passado.

Mude o que for necessário, afinal, a coisa mais importante da sua vida é você mesmo.... sem você ela não existiria! As pessoas que dizem te amar, dependem da tua existência para justificar esse amor e as que te odeiam, dependem da tua existência para que esse ódio faça sentido.

Todos somos peças indispensáveis de um grande e complexo jogo, onde deve-se conservar a própria integridade antes de partir para o ataque. Somos interdependentes e sem você, para muitos, o jogo acaba!

Devemos viver sem medo de viver e sem medo de dar a vida por uma causa na qual acreditamos... sem medo de tomar atitudes e sem medo de “deixar rolar”... sem medo de escolher e sem medo de aceitar palpites... sem medo de parar e sem medo de fechar os olhos e seguir... sem medo de fechar-se para o mundo e sem medo de olhar ao redor... sem medo de ser e sem medo de inexistir... sem medo de ser visado e sem medo de ser invisível... sem medo de criar coragem e sem medo de ter medo... sem medo de continuar no caminho, mas principalmente, sem medo de traçar novas rotas! Tudo depende do momento oportuno!

Destino é simplesmente o nome dado ao conjunto de escolhas que você faz ao longo da vida. Consciência é simplesmente um conflito entre o “ você decidido ” e o “ você inseguro “. Limite é simplesmente você se impedindo de continuar por medo de não conseguir e por covardia, que te impede de tentar.

Se encontra-se perdido, pegue seu mapa e trace uma nova rota de modo que não passe por nenhum ponto da trilha antiga. Comece do zero!

Um dia, numa dessas viagens, numa dessas trilhas, devido a uma dessas escolhas, encontrará o lugar onde você será o suficiente!

ponta-cabeça

Tenho sentido-me muito estranho... meu passado tem esmurrado a minha porta com tanta insistência que estou abrindo-lhe uma brecha para que tente fazer -se tão marcante quanto em seu "passado-presente" futuramente.
O mundo, que estava estagnado há tanto tempo, fugiu da inércia e agora gira na velocidade da luz. Não sinto os dias passando... nem as noites suprem meu descanso. Tudo o que me levava ao abismo me arrasta para além das nuvens e as colunas que outrora me sustentavam desmoronaram, tomando de mim a estabilidade, como uma onda forte que traga areias e conchas que ao mar pertenciam.
Já entendi que a vida está tentando me mostrar o quanto sou insignificante diante da majestade do universo. Preciso fugir daqui, fugir de tudo, fugir de mim! Preciso me ausentar desse lugar chamado “minha vida”, olhar de fora, analisar e descobrir o que me falta para ser feliz... ou ao menos ter paz.
Paulo Lucena >> 10/02/10

Reação

rCada dia agradeço a Deus pelos conflitos que encontro pelo caminho, pois há alguns anos eu não tinha nem conflitos para enfrentar... minha vida era vazia e sem forma!
Hoje tenho tantas metas, tantos sonhos, tantas vitórias a testemunhar, tantas derrotas para relembrar, tantas experiências para basear-me ao aconselhar, poucas pessoas de imensa significância na minha vida que aparecem raramente(mas trazem cor ao meu dia), tantas pessoas que se levantam contra mim e me dão o prazer de vê-las com suas espadas quebradas ao tentar me atingir...
É impressionante o poder das palavras, pois cada pessoa que lê o que aqui escrevi sabe exatamente onde se encaixar... mas independente de qualquer posicionamento, agradeço a todos, pois os que estão acima de mim, dão as mãos e erguem-me, outros caminham comigo lado a lado(cresceremos juntos) e geralmente os que tentam derrubar-me caem e suas cabeças me servem de degraus... cada um que cruza teu caminho, seja com boas ou más intenções pode te fazer crescer ou decair, só depende da tua reação!
Paulo Lucena >> 24/11/09

Inseguro

Eis-me aqui outra vez
Traduzindo sentimentos em palavras, escoando o que me transborda do oculto
O que me sufoca
Tentando aliviar o que ameaça romper o que separa minha verdadeira imagem das pessoas

O peso em meus ombros a aumentar...pressionar
Transtornar meu pensar
Deixando-me quase sem ar
Aflorando toda fraqueza que há em mim
Antecipando o fim
Da sombra que encobre tudo que escondo dentro de mim

Um dia haverei de revelar
Que em meu interior, força não há
Meu ponto fraco irá surgir.
E verás que ao contrário da firmeza que aparento,
Sou um mero menino ao relento
Com medo até das gotas de orvalho que caem sobre mim

>>>Paulo Lucena – 05/01/10 – 22:21