quinta-feira, 29 de julho de 2010

Tronco



Já não sei se vivo ou se a minha vida me usa como uma mera casca...vazia... Vive ela, a vida, por necessidade de existir, mesmo estando eu morto.


Continuo a ouvir a mesma sinfonia iunsuportável, os mesmos acordes que sempre soam quando me inspiro a escrever, acordes os quais, ao fechar dos meus olhos, me arrastam para dentro de mim mais uma vez...lugar estranho e com muitas trilhas.


Começo então a caminhar sem rumo e percebo que a cada bifurcação deparo-me com um mesmo tronco seco, estirado e retorcido, com traços de humanidade, quase me trazendo a impressão de que pereceu pedindo ajuda.


Oprimido eu começo a correr até dar-me conta de que não há saída. Continuo próximo ao tronco, naquele lugar frio, escuro, sombrio, cujo arredor reflete como espelhos d´água, fazendo com que eu enxergue no fundo dos meus olhos assustados um vazio ainda maior.


Continuo minha jornada em busca de um escape, mas nada muda... as vezes consigo ver feixes de luz, os quais me soam como oportunidades de mudança, mas são rapidamente encobertos por penumbras com formato de "NÃO".


Preciso, como me disse um anjo, voltar atrás e me encontrar de onde me perdi, mas eis o problema: Estou perdido! Para onde fica o "voltar"? Em todas as direções que olho vejo a mesma imagem... sombras, névoa e um tronco seco que me parece quase humano... Então me aproximo do tronco desistindo e quando sento decidido a perecer, deparo-me com o chão, pois o tronco não está mais lá! Deito-me onde ele estava e vejo um jovem correndo em círculos, assustado, tento estender as mãos e pedir ajuda, mas meus membros estão ressecados e rígidos como madeira e o jovem parece ter medo de mim e continua tentando fugir, desesperado e ficando exausto de tanto procurar por algo tão confuso que parece nem saber mais o que procura.