
Quando achei que tudo ia muito bem, aquela força superior mais uma vez “puxou meu tapete” para mostrar sua grandeza perante a minha insignificância... e como ocorre após toda queda que sofro, aprendi uma nova lição. Meus passos em falso nessa estrada escura e disforme fizeram-me enxergar o quanto somos egoístas e egocêntricos. Para os que conhecem, quantas vezes em que escrevo para esvaziar a alma, eu já citei outra pessoa senão eu mesmo?
Se pararmos para analisar, com muita sinceridade, coisa que não fazemos quando se trata de olhar para dentro de si, não fazemos nada senão por nós mesmos! Muitos de nós achamos que não temos vida própria... dizemos que damos a vida por quem amamos... mas na realidade o fazemos porque NÓS precisamos daquela pessoa! Não fazemos porque somos bons samaritanos ou porque somos lacaios do amor, mas na realidade, nos sujeitamos a tudo por sabermos que é impossível vivermos sós... necessitamos de pessoas de confiança ao nosso lado para nos apoiarem e quando as encontrarmos, faremos de tudo, mesmo que inconscientemente para que não se afastem!
É bem polêmico e “gritante” o que escrevo, mas o ser humano raramente enxerga algo senão a si próprio... como se a sua frente sempre levasse um espelho. Nós falamos, andamos, abraçamos, beijamos, amamos, odiamos, temos dó, orgulhamo-nos das pessoas pensando no bem que isso fará a nós mesmos. Somos como Adônis, capazes de afogarmo-nos por nossa auto-adoração e é isso que nos faz afundarmos em desilusões, mágoas, problemas... olhamos tanto para o “espelho” que nunca conseguimos enxergar que tudo de ruim que nos acontece, acontece também com milhares de pessoas ao nosso redor.
Não posso mais deixar que o egoísmo coletivo amarre uma venda nos meus olhos, me levando a um ponto tão crítico que me faça pensar que até meus problemas são únicos! Agora, neste momento, enxergo a vida como uma grande caixa cheia de “tarefas surpresa” onde pomos as mãos e sorteamos uma missão, a qual deveremos encarar e resolver no tempo determinado... caso não consigamos resolvê-la a tempo, ainda com essa tarefa em mãos, devemos retirar outra e assim a “bola de neve” tende somente a crescer.
Hoje, aqui e agora, posso enxergar que tudo que me ocorre já aconteceu, com certeza com alguém, em algum lugar do mundo, em alguma época... alguém já pisou neste “quadrinho do tabuleiro do complexo jogo da vida” e posso garantir que outras milhares de pessoas ainda jogarão os dados e cairão aqui onde estou agora! Só agora pude ver o quanto fui egoísta por acreditar que minhas felicidades e desilusões eram exclusividade minha... já dei boas gargalhadas por ver o quanto meu pensamento foi pequeno!
... enfim, hoje enxergo a vida como uma brincadeira de criança, tal como “dança da cadeira”... quando a música pára, não há certeza de que iremos conseguir parar no mesmo lugar onde outrora estávamos, mas há certeza de que outros já estiveram onde iremos parar e em cada rodada, outras pessoas estarão no lugar de onde saímos... isso acontecerá até o momento em que não conseguiremos mais um lugar e assim, para nós, o jogo termina.