Toda análise que faço sobre mim resulta em paradoxos, sempre distintos e exclusivos, como se a cada dia eu fosse alguém diferente, vivesse uma vida diferente, com pessoas diferentes, porém sempre sem rumo.Sinto-me a cada dia como uma máquina programada para não pensar no amanhã próximo, somente no futuro longínquo, cheio de planos e sonhos, mas com a convicção de que ao despertar do novo dia tudo se anula e cede lugar a novos parâmetros.
Admiro-me por estar lúcido e poder prever o quanto seria bom ter o poder sobre meus movimentos, meus almejos, meus alvos, mas maior do que o meu desejo é o instinto que me controla, mantendo-me no modo "automático"... quase em "stand-by".
Toda manhã desperto sob golpes de um conflito interno, tentando me contradizer, confundir o sistema que me rege, lutando para fazer tudo ao contrário do que me é imposto, fazendo as coisas da maneira que acho certas, mas é inútil... vem a força oposta, quase um momento fletor no livre arbítrio, pois aonde quer que estejamos, sempre haverá alguém intitulado maior, mais forte, mais experiente, mas perfeito ao ponto de pensar que tem sempre a razão, guiando nossos cordões como os de um fantoche vivo, que se sujeita por medo de quebrar o silêncio.
Gritar traz distúrbios... no momento certo traz solução... seguida por mais distúrbios, em um eco ensurdecedor e crescente, até que o mais fraco pereça e o silêncio retorne alicerçado na razão.