sábado, 10 de dezembro de 2011

Ferida aberta


Como em todas as lições que a vida me obriga a aprender, crio hoje uma convicção mais sólida de que todos os conceitos que formei contém brechas... de que não existem conclusões absolutas... de que tudo está sujeito a mudanças.

Acontecem muitas coisas no passado que te marcam assim como uma ferida profunda, que demora muito tempo para sarar. Até que cicatrize totalmente, muitas vezes ela se rompe, sangra, dói... ela está sempre ali marcando presença e precisamos de muito cuidado nesta fase para que nada torne a abrí-la.

Com o passar do tempo, as feridas se vão, mas deixam as cicatrizes como sucessoras, lembrando-nos de que um dia estiveram ali causando desconforto. Cicatrizes geralmente são muito frágeise devido a sua pele tênue, na ocorrência de qualquer impacto mais abrupto podem romper-se. Aqui começa a minha história: Sinto hoje a dor de uma cicatriz que não resistiu ao impacto do passado batendo à porta. Eu acreditava que estivesse totalmente curado, mas eis-me aqui esvaindo-me em sangue por saber que tudo poderia ser diferente hoje... confuso e dividido entre arrependimento e convicção de que tudo está melhor assim.

Sei que esse foi o caminho que escolhi e sinto-me feliz por saber que tudo tem corrido bem, mas mentiria ao negar que dói um pouco quando penso que a oportunidade escorreu por entre meus dedos e hoje encontra-se em outras mãos. Jamais fugiria do hoje, mas se pudesse, faria uma breve visita ao passado para sentir tudo aquilo mais uma vez... voltaria lá, mas faria tudo diferente... não ficaria tanto tempo parado no passado, mas tentaria arrastá-lo para o meu presente todos os dias, tornando-o eterno.

Pois é, passado, sinto falta de muitos dos nossos momentos, mas precisei partir para o presente na esperança de que deixá-lo para trás faria algum sentido no futuro... mesmo depois de tanto tempo, o som suave das tuas batidas na porta do presente me mostrou que ainda não faz sentido algum... a ferida ainda está aberta!

Começo a acreditar que não há cura para o inesquecível...

segunda-feira, 28 de novembro de 2011

Longe de tudo

Estar longe leva-me para mais perto de mim, onde posso refletir...

Quantos dias desperdicei buscando amores platônicos em versos não harmônicos?
Por quantas vezes pensei que minhas rotas ideais poderiam ser sonhos reais?
Por quantas vezes achei que a minha verdade traduzia a realidade?
Por quantas chances passei desapercebido enquanto cego farejava o libido?
Como pude trocar mil qualidades por uns segundos de falsa liberdade?
Como perdi meu pouco tempo em atitudes loucas que só deveriam existir em pensamento?
Como pude pensar que esquinas incertas deveriam ser as minhas metas
Quando mergulhei nesse mar negro? Tudo acontece tão rápido que nem percebo?
Quando enterrei meus talentos para focar em momentos?
Quando comecei a apostar o que tinha de valor, vendo tudo desmoronar sem temor?
Onde posso encontrar cada grão que deixei o vento levar?
Onde posso esconder o que de mais precioso posso ter?
Onde irei estar se um dia me encontrar?

Por que... Por que não me questionei diante dos muros que levantei? Muros que me impediam de seguir para os alvos que escolhi... muros que me impediam de ver toda sorte que poderia ter...

O tempo passou... tudo mudou... a trilha se apagou...
Para onde ir? Que caminho seguir? O tempo há de decidir...
Espero o ensino? Sigo sem destino, inconsequente como um menino?
Só sei que está tudo acabado... tudo foi tempo desperdiçado... gastei uma vida parado...


... É aqui, longe de tudo, que percebo que tudo não valeu de nada... É aqui, longe de tudo que percebo que nada é tudo que tenho.

sexta-feira, 23 de setembro de 2011

Descer para subir

Olho para trás e vejo
movida pelo desejo
uma criança com convicção.
Acreditava em si mesmo
e seguia o seu anseio
de quebrar uma maldição.

Todos os seus antepassados
foram marcados pelo fracasso,
comodismo e conformação,
mas ele era determinado
e mesmo jovem, já havia alcançado
sucesso e ostentação.

Toda vizinhança o notava,
toda família admirava
aos olhos de todos, uma conquista impossível.
Batia no peito com orgulho
“sozinho alcancei isso tudo
e em pouco tempo serei invencível!”

Aquele olhar de missão cumprida
que fascinava qualquer um que via
ao trancar da porta se transformava.
O brilho do sorriso tornava-se lágrima,
toda soberba sobre o ombro pesava
e toda fortaleza desmoronava.

Um vazio o contagiava,
a tal confusão o atormentava
“Tenho tudo o que um jovem quer!
Já alcancei respeito, sucesso e riqueza...
sou essencial, ninguém me despreza!
Nada me falta, o que mais posso ter?”

Depois de muito subir,
o sucesso não conseguia suprir
e decidiu então descer.
Abraçou o trabalho, abriu mão da riqueza,
deixou para trás cargo e título de nobreza,
perdeu direito de ordenar e pôs-se a obedecer.

No início nada de retorno e tudo era muito difícil.
Estar no topo sempre foi um vício,
mas com o tempo entendeu:
Ele sempre esteve por baixo
e tudo o que achou conquistar, foi-lhe dado
por Alguém que nunca o esqueceu.

Essa criança era eu,
mas o velho Paulo morreu...
já não quero status e nem riqueza!
Tenho a paz de Deus na minha vida
e aos pés Dele sigo em constante subida...
Hoje sou completo, com certeza!

terça-feira, 19 de julho de 2011

A voz do tempo


Mais uma vez a vida confunde-me e sua confusão explica-me o que outrora não entendia... faz-me ver o que não quis enxergar, reconhecer o que não quis admitir, retornar ao lugar de onde fugi, trilhar os caminhos dos quais desviei-me...


Após uma longa fase de “dormência mental”, onde tudo soava como um "nada", quase um vácuo, fui despertado pelo Tempo sussurrando ao meu ouvido continuamente as mesmas perguntas: Quanto mais de mim irás ignorar? Querer mesmo ver-me ao longe e arrepender-te por ter me perdido? Logo que abri os olhos, a imagem foi chocante e intensa... tudo ao meu redor estava desmoronado! Como se um tornado tivesse passado pelo meu interior e deixado tudo fora do lugar. Por alguns instantes permaneci estático, mas não me restavam muitas escolhas: retornava ao estado de coma degenerativo ou levantava e tentava pôr tudo em ordem.

Desde que decidi levantar-me, tenho encontrado em meio à confusão muitas coisas que havia perdido, coisas das quais nem lembrava e que faziam muita falta como o meu caráter inquestionável, minha sinceridade cortante, minha fidelidade, minha honra, o respeito que há muito tempo conquistei... havia incluído tantas coisas novas na minha vida, algumas que abominava, que meus valores mais importantes foram submergindo.

Francamente, não sei quanto tempo vai demorar até que eu consiga organizar-me, pois ainda hoje tropeço no lixo que guardei na minha alma, enrolo-me nas amarras que acorrentaram minhas qualidades, machuco-me nas lâminas que ceifaram a minha honra... há muito o que corrigir e muitas virtudes a se revelarem à medida que a "lama" for descartada. Há momentos em que o cansaço pesa em minhas pálpebras e temo não conseguir deixar tudo como era, mas lembro-me das minhas metas, abro meus olhos, revigoro-me e consigo enxergar muita luz nos novos caminhos que tenho seguido. Continuarei seguindo-os, pois sinto que me levarão a lugares infinitamente mais altos, os quais nunca imaginei.

No final, ou melhor, nesse novo início, pude ver que o medo de olhar para trás fez com que eu afastasse-me cada vez mais de mim mesmo, do meu legítimo “eu”. Percebi que precisava reconstruir as pontes que romperam-se, voltar ao lugar onde tudo se perdeu, jogar tudo que não edifica no mar do esquecimento, cuidar para que nada mais de ruim me alcance e retomar a caminhada rumo aos meus sonhos.

E você? Não acha que já é hora de despertar?

quinta-feira, 14 de abril de 2011

Paradoxal


...Enfim toda desordem começa a organizar-se na minha cabeça! Já posso ver o quanto sou cego, sentir o quanto sou insensível e refletir sobre o quanto sou irracional!


Finalmente a inércia fez-me caminhar, pois outrora, estático permanecia dançando a valsa da caixinha de música, em círculos. Cansei de descansar e decidi lançar-me ao acaso... mudar tudo, como de costume.

A partir de agora permito que eu me proíba de mirar no vazio, pois agora tenho alvos e pretendo alcança-los rapidamente com muita calma, acelerando o tempo enquanto aguardo pacientemente que o destino cumpra as metas que EU tracei e defina de uma vez por todas o que sempre será incerto.

Entendeu agora o que me confunde? Nem eu... só sei do que me é desconhecido! Enquanto os desencontros me encontrarem, aqui, perdido no lugar para o qual sempre retorno, coisas boas virão ao meu encontro, abrindo meus olhos lacrados e fazendo-me enxergar a escuridão dessas luzes apagadas... luzes que ao acenderem-se revelarão que estou num lugar inédito, o mesmo onde sempre me vejo nos meus sonhos.

segunda-feira, 7 de março de 2011

Intensidade que devasta

Em tempos como agora, sozinho no meu quarto, imerso em tédio, confuso(novidade?!), dando asas a minha imaginação, tentando fantasiar e colorir a minha realidade tão monocromática, enxergo o quanto sou incoerente e inconstante.


Levo a minha vida paradoxal sonhando com duas realidades muito distintas... solidão e companhia. Sei que isso deve-se ao fato de eu não considerar-me uma boa companhia ou talvez eu seja extremamente consciente de que estou a quilômetros de distância da perfeição, o que faz-me, muitas das vezes, ferir as pessoas que amo mesmo quando as minhas intenções são as melhores.

Tenho vivido isolado no meu pequeno universo por algum tempo, pois nele posso abrir meu coração por completo e deixar toda a luz que há em mim sair... não posso dizer que é o melhor lugar para se estar, pois a solidão é fria, dura e vazia, mas aqui tenho paz de espírito por saber que o mundo aí fora está livre dos males que posso causar. Tenho esse costume de anular-me quando sei que essa atitude radical irá proteger aqueles que amo, mesmo que isso traga dor e mesmo que eu corra o risco de me tornar frio... a luz que há em mim, por incrível que pareça, até hoje não ofuscou-se.
Sempre ouço as mesmas palavras: “Você não pode ser assim” ou “isso vai te fazer mal”, mas sinto-me muito pior quando descubro que fiz qualquer mal às pessoas por quem tenho apreço, principalmente quando tento fazer alguém feliz e fracasso! Fico impressionado como sempre que tento deixar a luz que há em mim, cuja intensidade admito, sair e iluminar os caminhos de alguém, à princípio é bem aceita, mas intensifica-se como tempo e passa a atordoar, incomodar, trazer cegueira, confundir, trazer dor... será esse meu carma?! Nunca poder abrir-me por completo?!

Nesse exato momento, sinto a necessidade de trancar-me no meu universo e proteger aqueles que estão a minha volta, pois temo que mais uma vez essa tal luz possa ferir a visão de pessoas que tem sido verdadeiras colunas para mim... pessoas que são minhas razões de viver. Cansei-me, mais uma vez, de machucar pessoas especiais!

Enfim... continuo na esperança de encontrar um lugar, fora desse meu universo obscuro, onde eu possa abrir meu coração sem devastar tudo ao redor... algum lugar onde a minha luz não cegue ou confunda, mas realmente ilumine... algum lugar onde meu calor não incinere, mas aqueça... lugar esse, onde todo o meu amor possa ser um sol de uma galáxia plena, trazendo luz e calor na medida essencial.

Tenho certeza de que um dia terei a minha Via láctea...

sábado, 26 de fevereiro de 2011

Caminhos sinuosos


Como todas as pessoas, eu tenho meus ídolos, os quais são pouquíssimos e muito seletos, mas são a fonte de toda a minha inspiração. Recuso-me a seguir exemplos de “figuras” ou “imagens” que são vendidos como manuais de sobrevivência, mas sigo os exemplos do meu dia-a-dia que são as pessoas de verdade, que vivem, sentem dor, tem problemas, choram. Os meus ídolos sempre me diziam para seguir por um “caminho reto” e assim fiz.


É extremamente cômodo ter alguém em quem se apoiar... fazer das metas dessa pessoa as suas metas, mas como tudo na vida, precisamos de muita moderação!

Não foi fácil passar por cima de pedras, brasas, espinhos, subir em muralhas cujas portas estavam abertas logo ao lado e até mesmo escalar colunas estreitas, quando poderia desviar-me delas, simplesmente pelo fato de que eu precisava andar sempre reto. Por diversas vezes via-me diante de águas profundas e turvas, correntezas e ventanias que quase desviavam-me da rota, mas o desejo obsessivo de alcançar o que “eles” alcançaram era mais forte... cingia-me... encorajava-me... meu desejo era meu alicerce.

Segui em frente e reto por toda a minha vida até aqui, mas sempre notei que, como num déjà vu, tudo era muito parecido! Sempre os mesmos conflitos, as mesmas dúvidas, os mesmos medos, os mesmos erros... e na realidade tudo estava repetindo-se!

Pus-me a pensar e pude concluir que o melhor caminho a se trilhar e aquele onde você lidera, aquele onde você é o guia! Caminhei cego por anos, impulsionado pelo conselho sobre o qual apoiava meus passos, "siga por um caminho reto", mas quando despertei do transe, raciocinei:

A Terra é esférica! Obviamente, se seguir sempre reto, sem me desviar, caminharei muito e conhecerei muitos lugares diferentes, mas chegará a hora em que retornarei ao ponto de partida e daí então tudo se repete, numa rotina enfadonha...

Cansei de seguir pela estrada... vou viver uma vida “off-road”! “Direita, volver!”

Precisamos conhecer novas terras, novos povos, novas experiências... precisamos permitir que experimentemos coisas que nunca vimos, novos sabores, novas texturas, novos aromas... precisamos "precisar" de novidades...

Tiremos então das nossas cabeças os conceitos arcaicos de que devemos seguir por caminhos retos. Sigamos por caminhos sinuosos, pois o novo encontra-se logo após a próxima curva, a felicidade pode estar logo ao lado e precisamos ir ao seu encontro... basta de apenas passar direto por ela, vê-la tão perto e não poder tocá-la!

terça-feira, 18 de janeiro de 2011

Sem sentido para vocês...

Palavras faladas, palavras ouvidas, soltas ao vento...
Soltar a alma? A alma liberta perece ao relento...
Caminhos sem chão, setas sem direção, sem leito e sem fonte...
No caminho inteiro, bússola sem ponteiro, não aponta o "aonde"..

Sangue nas veias, na ampulheta areia, no coração gelo
A alma é abismo, prazer é sadismo e a paz? desconheço!
Errar é rotina. falhar? minha sina. sofrer ao pensar...
Pensamentos ao longe e a verdade, eu escondo atrás do olhar.

Amor invisível, futuro insensível, compreensão é sorte...
Renúncia presente, presente ausente, sentença de morte...
Olhar além te torna refém do hoje sem si...
Não ter a si é ter ninguém para dividir...

Respostas sarcásticas, atitudes drásticas, aliviam o que sufoca...
Sentimentos presos, faróis acesos, fuga sem resposta...
Tempo corrige, tempo exige, tempo corrói...
Tempo voa, areia escoa, fim me destrói...