quarta-feira, 5 de dezembro de 2012

Entre o céu e o inferno



Existe um lugar entre o céu e o inferno... um lugar que eu mesmo crio cada vez em que meu instinto se liberta e lá fico cativo, imóvel, impotente... Um lugar que eu mesmo crio cada vez em que tento ser diferente do que esperam, cada vez em que tento ser eu mesmo e depois me arrependo por ter chegado ali.

Ali, mais uma vez recebo a ilustre visita do desejo insaciável de abrir mão sem olhar para trás, s
umir. As vezes faço isso, só que parcialmente, mas quando essa bomba de ansiedade implode e me invade, procuro desesperadamente uma forma de resolver tudo definitivamente.

C
oragem? Não sei se tenho para fazer o que tem que ser feito, mas se tiver, somente os poucos que aceitam sentirão e alguns lembrarão vagamente, mas até que essa força venha, limito-me a rabiscar letras em um pedaço branco de papel qualquer, sentado aqui no chão de terra quente, com as pernas cruzadas, entre o céu e o inferno. Isso me alivia... 

sexta-feira, 14 de setembro de 2012

Breve Eternidade





Que saudades sinto da minha menina,
cuja alegria me contamina,
me transporta para o seu mundo.
Pois sempre que viajo em seu olhar,
Sinto a brisa meu rosto tocar
e quero nesse sonho mergulhar mais fundo.

Aprendi a amar o que amas,
sorrir suas alegrias
chorar seus momentos tristonhos.
Aprendi a comemorar tuas conquistas,
sentir tudo o que sentes,
Sonhar todos teus sonhos.

Todo tempo longe, pouco tempo perto...
esse preço se paga em um só gesto:
teu abraço apertado e terno.
Pois mesmo estando tanto tempo aqui
Cada segundo que passo nos teus braços
Ancora...se torna eterno.

Agora mesmo estou aqui,
escrevendo e deixando minha imaginação fluir,
mas com o coração explodindo, louco para te ver.
Sei que aqui o tempo passa devagar,
mas vale muito a pena esperar
por outra breve eternidade juntinho de você.

sábado, 10 de dezembro de 2011

Ferida aberta


Como em todas as lições que a vida me obriga a aprender, crio hoje uma convicção mais sólida de que todos os conceitos que formei contém brechas... de que não existem conclusões absolutas... de que tudo está sujeito a mudanças.

Acontecem muitas coisas no passado que te marcam assim como uma ferida profunda, que demora muito tempo para sarar. Até que cicatrize totalmente, muitas vezes ela se rompe, sangra, dói... ela está sempre ali marcando presença e precisamos de muito cuidado nesta fase para que nada torne a abrí-la.

Com o passar do tempo, as feridas se vão, mas deixam as cicatrizes como sucessoras, lembrando-nos de que um dia estiveram ali causando desconforto. Cicatrizes geralmente são muito frágeise devido a sua pele tênue, na ocorrência de qualquer impacto mais abrupto podem romper-se. Aqui começa a minha história: Sinto hoje a dor de uma cicatriz que não resistiu ao impacto do passado batendo à porta. Eu acreditava que estivesse totalmente curado, mas eis-me aqui esvaindo-me em sangue por saber que tudo poderia ser diferente hoje... confuso e dividido entre arrependimento e convicção de que tudo está melhor assim.

Sei que esse foi o caminho que escolhi e sinto-me feliz por saber que tudo tem corrido bem, mas mentiria ao negar que dói um pouco quando penso que a oportunidade escorreu por entre meus dedos e hoje encontra-se em outras mãos. Jamais fugiria do hoje, mas se pudesse, faria uma breve visita ao passado para sentir tudo aquilo mais uma vez... voltaria lá, mas faria tudo diferente... não ficaria tanto tempo parado no passado, mas tentaria arrastá-lo para o meu presente todos os dias, tornando-o eterno.

Pois é, passado, sinto falta de muitos dos nossos momentos, mas precisei partir para o presente na esperança de que deixá-lo para trás faria algum sentido no futuro... mesmo depois de tanto tempo, o som suave das tuas batidas na porta do presente me mostrou que ainda não faz sentido algum... a ferida ainda está aberta!

Começo a acreditar que não há cura para o inesquecível...

segunda-feira, 28 de novembro de 2011

Longe de tudo

Estar longe leva-me para mais perto de mim, onde posso refletir...

Quantos dias desperdicei buscando amores platônicos em versos não harmônicos?
Por quantas vezes pensei que minhas rotas ideais poderiam ser sonhos reais?
Por quantas vezes achei que a minha verdade traduzia a realidade?
Por quantas chances passei desapercebido enquanto cego farejava o libido?
Como pude trocar mil qualidades por uns segundos de falsa liberdade?
Como perdi meu pouco tempo em atitudes loucas que só deveriam existir em pensamento?
Como pude pensar que esquinas incertas deveriam ser as minhas metas
Quando mergulhei nesse mar negro? Tudo acontece tão rápido que nem percebo?
Quando enterrei meus talentos para focar em momentos?
Quando comecei a apostar o que tinha de valor, vendo tudo desmoronar sem temor?
Onde posso encontrar cada grão que deixei o vento levar?
Onde posso esconder o que de mais precioso posso ter?
Onde irei estar se um dia me encontrar?

Por que... Por que não me questionei diante dos muros que levantei? Muros que me impediam de seguir para os alvos que escolhi... muros que me impediam de ver toda sorte que poderia ter...

O tempo passou... tudo mudou... a trilha se apagou...
Para onde ir? Que caminho seguir? O tempo há de decidir...
Espero o ensino? Sigo sem destino, inconsequente como um menino?
Só sei que está tudo acabado... tudo foi tempo desperdiçado... gastei uma vida parado...


... É aqui, longe de tudo, que percebo que tudo não valeu de nada... É aqui, longe de tudo que percebo que nada é tudo que tenho.

sexta-feira, 23 de setembro de 2011

Descer para subir

Olho para trás e vejo
movida pelo desejo
uma criança com convicção.
Acreditava em si mesmo
e seguia o seu anseio
de quebrar uma maldição.

Todos os seus antepassados
foram marcados pelo fracasso,
comodismo e conformação,
mas ele era determinado
e mesmo jovem, já havia alcançado
sucesso e ostentação.

Toda vizinhança o notava,
toda família admirava
aos olhos de todos, uma conquista impossível.
Batia no peito com orgulho
“sozinho alcancei isso tudo
e em pouco tempo serei invencível!”

Aquele olhar de missão cumprida
que fascinava qualquer um que via
ao trancar da porta se transformava.
O brilho do sorriso tornava-se lágrima,
toda soberba sobre o ombro pesava
e toda fortaleza desmoronava.

Um vazio o contagiava,
a tal confusão o atormentava
“Tenho tudo o que um jovem quer!
Já alcancei respeito, sucesso e riqueza...
sou essencial, ninguém me despreza!
Nada me falta, o que mais posso ter?”

Depois de muito subir,
o sucesso não conseguia suprir
e decidiu então descer.
Abraçou o trabalho, abriu mão da riqueza,
deixou para trás cargo e título de nobreza,
perdeu direito de ordenar e pôs-se a obedecer.

No início nada de retorno e tudo era muito difícil.
Estar no topo sempre foi um vício,
mas com o tempo entendeu:
Ele sempre esteve por baixo
e tudo o que achou conquistar, foi-lhe dado
por Alguém que nunca o esqueceu.

Essa criança era eu,
mas o velho Paulo morreu...
já não quero status e nem riqueza!
Tenho a paz de Deus na minha vida
e aos pés Dele sigo em constante subida...
Hoje sou completo, com certeza!

terça-feira, 19 de julho de 2011

A voz do tempo


Mais uma vez a vida confunde-me e sua confusão explica-me o que outrora não entendia... faz-me ver o que não quis enxergar, reconhecer o que não quis admitir, retornar ao lugar de onde fugi, trilhar os caminhos dos quais desviei-me...


Após uma longa fase de “dormência mental”, onde tudo soava como um "nada", quase um vácuo, fui despertado pelo Tempo sussurrando ao meu ouvido continuamente as mesmas perguntas: Quanto mais de mim irás ignorar? Querer mesmo ver-me ao longe e arrepender-te por ter me perdido? Logo que abri os olhos, a imagem foi chocante e intensa... tudo ao meu redor estava desmoronado! Como se um tornado tivesse passado pelo meu interior e deixado tudo fora do lugar. Por alguns instantes permaneci estático, mas não me restavam muitas escolhas: retornava ao estado de coma degenerativo ou levantava e tentava pôr tudo em ordem.

Desde que decidi levantar-me, tenho encontrado em meio à confusão muitas coisas que havia perdido, coisas das quais nem lembrava e que faziam muita falta como o meu caráter inquestionável, minha sinceridade cortante, minha fidelidade, minha honra, o respeito que há muito tempo conquistei... havia incluído tantas coisas novas na minha vida, algumas que abominava, que meus valores mais importantes foram submergindo.

Francamente, não sei quanto tempo vai demorar até que eu consiga organizar-me, pois ainda hoje tropeço no lixo que guardei na minha alma, enrolo-me nas amarras que acorrentaram minhas qualidades, machuco-me nas lâminas que ceifaram a minha honra... há muito o que corrigir e muitas virtudes a se revelarem à medida que a "lama" for descartada. Há momentos em que o cansaço pesa em minhas pálpebras e temo não conseguir deixar tudo como era, mas lembro-me das minhas metas, abro meus olhos, revigoro-me e consigo enxergar muita luz nos novos caminhos que tenho seguido. Continuarei seguindo-os, pois sinto que me levarão a lugares infinitamente mais altos, os quais nunca imaginei.

No final, ou melhor, nesse novo início, pude ver que o medo de olhar para trás fez com que eu afastasse-me cada vez mais de mim mesmo, do meu legítimo “eu”. Percebi que precisava reconstruir as pontes que romperam-se, voltar ao lugar onde tudo se perdeu, jogar tudo que não edifica no mar do esquecimento, cuidar para que nada mais de ruim me alcance e retomar a caminhada rumo aos meus sonhos.

E você? Não acha que já é hora de despertar?

quinta-feira, 14 de abril de 2011

Paradoxal


...Enfim toda desordem começa a organizar-se na minha cabeça! Já posso ver o quanto sou cego, sentir o quanto sou insensível e refletir sobre o quanto sou irracional!


Finalmente a inércia fez-me caminhar, pois outrora, estático permanecia dançando a valsa da caixinha de música, em círculos. Cansei de descansar e decidi lançar-me ao acaso... mudar tudo, como de costume.

A partir de agora permito que eu me proíba de mirar no vazio, pois agora tenho alvos e pretendo alcança-los rapidamente com muita calma, acelerando o tempo enquanto aguardo pacientemente que o destino cumpra as metas que EU tracei e defina de uma vez por todas o que sempre será incerto.

Entendeu agora o que me confunde? Nem eu... só sei do que me é desconhecido! Enquanto os desencontros me encontrarem, aqui, perdido no lugar para o qual sempre retorno, coisas boas virão ao meu encontro, abrindo meus olhos lacrados e fazendo-me enxergar a escuridão dessas luzes apagadas... luzes que ao acenderem-se revelarão que estou num lugar inédito, o mesmo onde sempre me vejo nos meus sonhos.