domingo, 31 de outubro de 2010

De que somos feitos?

Após mais alguns passos nessa jornada, outra vez tropecei. Busquei forças, como sempre, para erguer meu rosto do chão, mesmo que muito abatido. Sentei-me no chão, vi feridas abertas, porém sem sangue! Eram negras e profundas de modo que não podia ver-se o fundo. Pus-me a pensar: Do que na verdade somos feitos?
Há diversas situações pelas quais passamos ao longo da vida e em cada uma delas temos de nos adaptar. Eu, por exemplo, quando sou confrontado, comporto-me como ferro... robusto, resistente, impermeável, posso me deformar, porém dificilmente serei rompido. Meu "calcanhar de Aquiles" será atingido somente se eu for submetido por muito tempo às minhas lágrimas, pois irei oxidar até desintegrar-me.
Quando confio, sou vidro... transparente, puro, cristalino, uma proteção quase invisível, posso fazer-me opaco para esconder-te, porém sou frágil! Posso facilmente ser desmembrado em milhares de fragmentos sem utilidade ao menor dos impactos.
Quando amo, sou água... agradável, sacio "às sedes", desvio de qualquer obstáculo e passo por qualquer brecha para alcançar as metas, sou reconfortante e capaz de lavar a alma. Posso escorrer facilmente por entre os dedos, caso esteja em mãos desatentas e uma vez derrubado sobre terras secas, serei tragado e jamais recuperado. Calor demais me leva ao céu e desço como chuva torrencial, lavando e purificando tudo em meu caminho. Frio demais torna-me pedra e somente com muito calor irei retornar ao meu estado normal.
Neste momento da minha vida sou diamante bruto... sem brilho, sem utilidade, sem valor, sem destino. Caso seja percebido a tempo, antes de ir para descarte, se lapidado com paciência, carinho, dedicação, no ambiente correto, longe de impurezas, sem excesso de pressão e temperatura amena, posso transformar-me em joia preciosa, com alto valor e brilho ofuscante aos olhos. Posso enriquecer teu colo com meu afago, enriquecer tua orelha ao te sussurrar palavras doces, enriquecer teus dedos quando entrelaçados aos meus, enriquecer teu braço guiando-te pelo ao caminho da satisfação...
Cada dia, ao acordar, posso me repetir nesse ciclo desgastante ou posso ser algo totalmente novo e diferente de tudo que já fui. Admito que deito-me ansioso por pensar no que serei amanhã... forte como a rocha ou frágil como o isopor? duro como o titânio ou maleável como o alumínio? turvo como o carvão ou transparente como o cristal? fácil de encontrar-se como a brita ou oculto e inacessível como o diamante negro? Enfim, sempre serei aquele mesmo mosaico vazio e branco, um nada formado por pequenas partes de tudo que me cerca... e você, do que é feito hoje?

2 comentários:

Rafaela disse...

Sou uma pessoa feita de esperanças , mas esperanças que se apagam com as decepções , esperanças que provam que não tem sentido de existir com o passar do tempo , e quando isso acontece sabe o que eu faço ? Procuro mais esperanças , pois para mim , esperança é a última que morre , e como sou determinada , sem esperança minha determinação não faz sentido , e sem determinação eu não existo .
Você procura por um trabalhador em jóias que possa lapidar seu diamante bruto , sendo que nem sempre enxergarmos que esse trabalhador que se tanto procura está perto de nós , ou talvez não seja só um trabalhador que você procure , talvez você procure aquele diamante bruto dentro de você para ser entregue ao trabalhador .
Eu preciso em certos momentos tirar a capa que protege minha determinação contra ataques para enxergar numa visão mais ampla tudo que está perto de mim , talvez seja preciso que você também faça isso , porque aposto que tem várias pessoas que são capazes de lapidar seu diamante perto de você que você simplesmente não vê , e se não for isso : desconsidere tudo o que eu disse .

PS: adorei o texto , ficou show .

Anônimo disse...

Muito lindo o seu texto!
Conseguiu juntar elementos com romantismo.
Isso me lembra alguem...
rsrrsrs
Muito lindo msm!!!
Carol