sábado, 26 de fevereiro de 2011
Caminhos sinuosos
Como todas as pessoas, eu tenho meus ídolos, os quais são pouquíssimos e muito seletos, mas são a fonte de toda a minha inspiração. Recuso-me a seguir exemplos de “figuras” ou “imagens” que são vendidos como manuais de sobrevivência, mas sigo os exemplos do meu dia-a-dia que são as pessoas de verdade, que vivem, sentem dor, tem problemas, choram. Os meus ídolos sempre me diziam para seguir por um “caminho reto” e assim fiz.
É extremamente cômodo ter alguém em quem se apoiar... fazer das metas dessa pessoa as suas metas, mas como tudo na vida, precisamos de muita moderação!
Não foi fácil passar por cima de pedras, brasas, espinhos, subir em muralhas cujas portas estavam abertas logo ao lado e até mesmo escalar colunas estreitas, quando poderia desviar-me delas, simplesmente pelo fato de que eu precisava andar sempre reto. Por diversas vezes via-me diante de águas profundas e turvas, correntezas e ventanias que quase desviavam-me da rota, mas o desejo obsessivo de alcançar o que “eles” alcançaram era mais forte... cingia-me... encorajava-me... meu desejo era meu alicerce.
Segui em frente e reto por toda a minha vida até aqui, mas sempre notei que, como num déjà vu, tudo era muito parecido! Sempre os mesmos conflitos, as mesmas dúvidas, os mesmos medos, os mesmos erros... e na realidade tudo estava repetindo-se!
Pus-me a pensar e pude concluir que o melhor caminho a se trilhar e aquele onde você lidera, aquele onde você é o guia! Caminhei cego por anos, impulsionado pelo conselho sobre o qual apoiava meus passos, "siga por um caminho reto", mas quando despertei do transe, raciocinei:
A Terra é esférica! Obviamente, se seguir sempre reto, sem me desviar, caminharei muito e conhecerei muitos lugares diferentes, mas chegará a hora em que retornarei ao ponto de partida e daí então tudo se repete, numa rotina enfadonha...
Cansei de seguir pela estrada... vou viver uma vida “off-road”! “Direita, volver!”
Precisamos conhecer novas terras, novos povos, novas experiências... precisamos permitir que experimentemos coisas que nunca vimos, novos sabores, novas texturas, novos aromas... precisamos "precisar" de novidades...
Tiremos então das nossas cabeças os conceitos arcaicos de que devemos seguir por caminhos retos. Sigamos por caminhos sinuosos, pois o novo encontra-se logo após a próxima curva, a felicidade pode estar logo ao lado e precisamos ir ao seu encontro... basta de apenas passar direto por ela, vê-la tão perto e não poder tocá-la!
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