quinta-feira, 25 de novembro de 2010

Frio e calculista


Por esses dias estive mais uma vez afogado em trevas, numa daquelas situações que fazem você pensar em mil absurdos, em desistência, em luta...
Reconheço que meu jeito racional de ser me ajuda muito diante das afrontas, pois sempre que me vejo acuado ou quando algo consegue deixar-me fora de si, paro, respiro fundo, me transporto para outro lugar por alguns segundos e retorno de lá pronto para encarar meus demônios de forma fria e calculista, como sempre! Já percebi que a indiferença confunde a cabeça de quem te confronta! Realmente temos que concordar que é estranho ver teu oponente entrar no campo de batalha, onde uma causa importante está por um fio, com sutileza, sereno... parece que ele tem todas as armas necessárias para te vencer de olhos fechados! A segurança alheia é um punhal no nosso calcanhar, pois por mais que saibamos que os ventos sopram a nosso favor, essa atitude nos soa como se o oponente tivesse encontrado uma estratégia que você não conseguiu prever.
Até hoje só encontrei uma atitude que consegue me desestruturar totalmente por alguns instantes: escândalos... exposição de assuntos que deveriam ser resolvidos por duas pessoas apenas. Quando isso acontece, dependendo da proporção, me vejo momentaneamente transtornado, pois tenho o costume de não enxergar os degraus sociais existentes entra realeza e plebe, relacionando-me e respeitando a todos por igual, e por isso não admito que me desrespeitem, mas já percebi também que depois que meu transtorno passa, o “Paulo frio e calculista retorna ao lar” com ainda mais vigor, cheio de ideias de estratégias, firme como rocha, seguro de si, com aquele olhar penetrante e intimidador, com a boca repleta de respostas curtas que penetram na alma como farpas... me transformo em algo que nem eu ao certo conheço... uma máquina de guerra!
Pensando muito sobre o assunto, concluí que as pessoas que sabem que tem potencial, debatem sobre pontos de vista civilizadamente, tentam te persuadir usando argumentos, torna-se até uma conversa inteligente e agradável! Agora te pergunto: Que argumento tem a pessoa que grita? NENHUM! A pessoa que grita não passa de alguém inseguro, fraco, medíocre, que sabe que não tem argumentos suficientes para te convencer a mudar, que reconhece que não tem força suficiente para te controlar... grita na esperança de te assustar! Esse tipo de gente não tem respeito, só possui o medo daqueles que são mais fracos que ele. Vivo respeitando e sou muito respeitado, de modo que quase nunca preciso gritar para conseguir o que quero... um pedido com educação, acompanhado de argumentos que comprovem a necessidade e reconhecimento após cumprimento sempre funciona e ainda abre portas para que sempre tenha o que precisa! Pessoas que gritam para tentar ter algo de você são dignas de pena, pois gritar é reconhecer que você é tão melhor que nunca vai se inclinar às opiniões vazias e sem base senão por coação.
Decidi que não mais me irritar ou discutir daqui para frente, pois meus pensamentos estão anos-luz afrente de qualquer ofensa e enquanto “você” gasta seu tempo gritando asneiras para tentar me intimidar, invisto meu tempo calado, analisando o momento certo de lançar minha “semente” na tua boca, para te engasgar com tuas próprias palavras até sufocar... aí então escolha é sua: Cala-te ou perece!

“Segurança e blefe não garantem o sucesso no jogo, mas combinados à convicção, firmeza e máscaras para ocultar fraquezas, abalam a confiança, o combustível, do teu oponente, balançam as tuas estruturas... arrancam das mãos dele a certeza da vitória.”

quarta-feira, 10 de novembro de 2010

Querer + buscar = poder


A adolescência me assiste partindo
a vida adulta me aguarda sorrindo
grandes mudanças estou a enfrentar.
Muitos caminhos surgem a minha volta
muitos deles no futuro trarão revolta
por pensar no tempo que posso desperdiçar.

Logo à frente vejo o destino a me oferecer:
As cartas estão na mesa, é só escolher!
Nesse jogo pode-se perder ou ganhar.
Não é como nos tempos antigos,
Onde o menino perdia, ficava arrependido
e era convidado para voltar a brincar.

Sinto falta daqueles dias,
em que chegava em casa nas tardes frias
e tinha chocolate quente para me aquecer.
Hoje tenho preocupações além disso.
Preciso me esquivar de tudo que não me é lícito,
lutar dia após dia para sobreviver.

O banquete da vida é farto e atraente...
geralmente tudo parece saboroso e quente.
Na hora da fome pode te saciar,
mas tudo que vem fácil, vai fácil com certeza.
Vemos isso quando a conta é posta sobre a mesa
e então percebemos que existe um preço a pagar.

Prefiro seguir lutando pelo que almejo,
acreditar em tudo que sonho, tudo que desejo.
Querer é poder para quem busca, não adianta esperar.
Vitória sem suor? Não! Meu caminhar é ímpar!
Sigo em frente sempre de cara limpa
e me orgulharei, batendo no peito, por tudo que conquistar.

Poesia feita para a gincana do colégio do meu irmão.
Autoria de Paulo Lucena e Paulo Alonso.

sexta-feira, 5 de novembro de 2010

conspiração do tempo


Daqui a alguns dias estarei completando mais um ano de vida e só agora percebi o quão rápido tem passado o tempo. Por que ele atrasa-se para uns e acelera-se para outros?

Há pouco, era um menino, com poucas preocupações, pois iniciei a vida cedo e já tinha obrigações ainda jovem... mas desde que acordei de vez para o mundo, o "relógio" tem conspirado contra mim a cada dia com mais fúria, de maneira mais intensa, me sufocando, diminuindo meu espaço, pressionando meu pensar e ameaçando meus planos, os quais tenho adiado por falta de TEMPO para concretizá-los.

Tem sido muito difícil investir 100% de mim em tudo que preciso fazer e analizando-se lógicamente é impossível, mas é isso que o mundo exige de nós nos dias de hoje: Exclusividade em tudo que dispomo-nos a fazer. Tudo ao nosso redor é egoísta, mesquinho, não se contenta com o que podemos oferecer e quer entrega total! O que nos resta é tentar administrar o nosso tempo da melhor maneira possível!

Hoje invisto todo meu tempo em prol do meu futuro... não me resta tempo no presente nem para mim mesmo! Aposto na sorte desse futuro incerto, mesmo na incerteza de que amanhã ainda estarei vivo, pois nessa linha de raciocínio consegui chegar onde estou. Perguntem aos meus amigos a quanto tempo não tem notícias de mim... muitos nem lembrar que existo! Abro mão do meu hoje SIM, pois espero um amanhã melhor!

São lutas infindáveis, cansativas, mas o pior é o resultado! Vitória incerta tendendo à derrota... são muitas pessoas tão empenhadas ou mais, mirando os mesmos alvos que você! É bem desgastante a preocupação por ter que ser o profissional exemplar, o amigo presente, o companheiro ideal, o bom familiar, o perfeito aluno, o cidadão correto, dentre milhares de outras "atribuições"que passam desapercebidas... Confesso que estou reprovado em pelo menos metade das que citei! Ahhh! Dói a cabeça só por pensar!

Chega! Vou parar por aqui! Minha intenção era esvaziar-me, tirar o "peso dos ombros", mas acabei acordando para a realidade que sempre me oprime... para mim, que sou um perfeccionista extremo, dói a alma assumir, mas nunca seremos perfeitos em tudo! O que devo fazer é escolher um caminho, seguir reto e passar por cima de tudo que parecer obstáculo! O resto é consequência... eu acho...

Desisto! sem mais...

Medo de sonhar



Como tenho evitado fechar os olhos...
O peso do cansaço em minhas pálpebras me arrasta para um sono profundo, lugar no qual a visão vai além do presente... enxergo coisas que de olhos abertos não consigo, coisas que de algum modo sei que virão.

Vejo a verdade do destino incerto em um pesadelo infindável, dando voltas como a Terra, sobre seu eixo e deixando-me atordoado, sem estruturas... Sinto uma pressão absurda no peito. Acredito que seja, por parte, medo de acordar e enxergar que a realidade está pior.

Não há soluções para o meu problema, pois se olho em frente não vejo caminhos, se olho para trás não tenho forças para retornar a tudo que já passei, aos lados apenas muralhas, dentro de mim há um vazio, abaixo somente abismo e os céus estão negros.

Enfim... Acordo por medo de sonhar com a realidade que sei que viverei ao acordar.

quarta-feira, 3 de novembro de 2010

Egoísmo do exclusivo



Quando achei que tudo ia muito bem, aquela força superior mais uma vez “puxou meu tapete” para mostrar sua grandeza perante a minha insignificância... e como ocorre após toda queda que sofro, aprendi uma nova lição. Meus passos em falso nessa estrada escura e disforme fizeram-me enxergar o quanto somos egoístas e egocêntricos. Para os que conhecem, quantas vezes em que escrevo para esvaziar a alma, eu já citei outra pessoa senão eu mesmo?

Se pararmos para analisar, com muita sinceridade, coisa que não fazemos quando se trata de olhar para dentro de si, não fazemos nada senão por nós mesmos! Muitos de nós achamos que não temos vida própria... dizemos que damos a vida por quem amamos... mas na realidade o fazemos porque NÓS precisamos daquela pessoa! Não fazemos porque somos bons samaritanos ou porque somos lacaios do amor, mas na realidade, nos sujeitamos a tudo por sabermos que é impossível vivermos sós... necessitamos de pessoas de confiança ao nosso lado para nos apoiarem e quando as encontrarmos, faremos de tudo, mesmo que inconscientemente para que não se afastem!

É bem polêmico e “gritante” o que escrevo, mas o ser humano raramente enxerga algo senão a si próprio... como se a sua frente sempre levasse um espelho. Nós falamos, andamos, abraçamos, beijamos, amamos, odiamos, temos dó, orgulhamo-nos das pessoas pensando no bem que isso fará a nós mesmos. Somos como Adônis, capazes de afogarmo-nos por nossa auto-adoração e é isso que nos faz afundarmos em desilusões, mágoas, problemas... olhamos tanto para o “espelho” que nunca conseguimos enxergar que tudo de ruim que nos acontece, acontece também com milhares de pessoas ao nosso redor.

Não posso mais deixar que o egoísmo coletivo amarre uma venda nos meus olhos, me levando a um ponto tão crítico que me faça pensar que até meus problemas são únicos! Agora, neste momento, enxergo a vida como uma grande caixa cheia de “tarefas surpresa” onde pomos as mãos e sorteamos uma missão, a qual deveremos encarar e resolver no tempo determinado... caso não consigamos resolvê-la a tempo, ainda com essa tarefa em mãos, devemos retirar outra e assim a “bola de neve” tende somente a crescer.

Hoje, aqui e agora, posso enxergar que tudo que me ocorre já aconteceu, com certeza com alguém, em algum lugar do mundo, em alguma época... alguém já pisou neste “quadrinho do tabuleiro do complexo jogo da vida” e posso garantir que outras milhares de pessoas ainda jogarão os dados e cairão aqui onde estou agora! Só agora pude ver o quanto fui egoísta por acreditar que minhas felicidades e desilusões eram exclusividade minha... já dei boas gargalhadas por ver o quanto meu pensamento foi pequeno!

... enfim, hoje enxergo a vida como uma brincadeira de criança, tal como “dança da cadeira”... quando a música pára, não há certeza de que iremos conseguir parar no mesmo lugar onde outrora estávamos, mas há certeza de que outros já estiveram onde iremos parar e em cada rodada, outras pessoas estarão no lugar de onde saímos... isso acontecerá até o momento em que não conseguiremos mais um lugar e assim, para nós, o jogo termina.